segunda-feira, 9 de abril de 2012

“POR QUE OS ADOLESCENTES SE AFASTAM DO SENHOR”?




Uma pesquisa feita pelos alunos da ELA (Escola Líderes de Adolescentes) do ministério PAVI (Preparando o Adolescente para a Vida) perguntando aos próprios adolescentes - Por que os adolescentes se afastam do Senhor? - apresentou as seguintes principais respostas:


1º - Más amizades
2º - Atrativos do mundo (baladas, drogas, internet...)
3º - Namoro (com descrente)
4º - Decepção na igreja (fofocas, brigas, injustiças...)
5º- Família (Pais incoerentes, incrédulos...)

Com base nestas respostas faço algumas reflexões:

1 – Os adolescentes argumentam desculpas e não razões.
Uma primeira leitura nos induz a, solidariamente, receber todas estas respostas como justificativas aceitáveis para o afastamento, isentando o adolescente de qualquer responsabilidade.
Mas, após o primeiro impacto passional, ao fazer uma releitura, percebemos que as respostas são tentativas de defesas, argumentos de desculpas para a atitude de se afastar. Isso se dá desde o Éden, por intermédio de Adão e Eva, se desculpando, ou melhor, se “outroculpando”. “Foi a mulher (1) que Tu (2) me deste... foi a serpente (3)...”.
As razões mais latentes e mais originais de alguém se afastar do Senhor são: O coração corruptível tendencioso a tudo que é mal e a incredulidade no Senhor e consequentemente na Sua palavra. Ao invés de desculpas é preciso “mea culpa”. O adolescente se afasta do Senhor por escolha livre e pessoal. Estas respostas se enquadram como motivos influenciadores (com a permissão do receptor) e não determinantes.
· Ilustrando, uma resposta mais adequada de um adolescente:
“Eu me afastei do Senhor porque deixei meu coração, que é duro, me guiar, porque não confiei na Palavra do Senhor e desconfiei do Seu amor por mim.”

2 – Os adolescentes desconhecem as realidades do mundo e de Deus.

a) Más amizades – Não há má amizade. Amizade é boa. Inimizade é mau. O conteúdo da amizade é que pode ser bom ou mau. Dois bandidos são amigos, mas o conteúdo, o que os torna amigos, é que é mau. De fato o adolescente que se afasta do Senhor por causa das “más amizades” é porque ele se identificou com os conteúdos, os valores e as bases desta amizade.
Semelhantemente fala-se em “má influência”, o que também não é real, pois para aquele que se deixa influenciar, se deixa por ser boa. Seu coração aceitou, recebeu, absorveu os conteúdos deste amigo. A avaliação como uma má amizade vem de terceiros, de quem está de fora, mas do ponto de vista do adolescente ela é boa e sendo boa absorve os valores desta amizade. Maus são os valores deste adolescente guardados no seu coração e mal foi escolher unir-se com outros semelhantes. Assim como “a boca fala do que está cheio o coração” assim o adolescente escolhe suas amizades.
· Ilustrando uma resposta mais adequada de um adolescente:
“De fato meu coração já estava longe do Senhor e bem chegado aos valores desta turma. Escolhi andar, me deter e me assentar com eles.”
b) Atrativos do mundo – Quantos de nós, pais e líderes, concordamos com esta veemente afirmativa: “O mundo tem muitos atrativos para os adolescentes!” Até fundamentamos as atividades com os adolescentes nos baseando nesta aparente verdade. Justificamos imitar, clonar e trazer para o ministério com os adolescentes valores e conteúdos do mundo. Como esquecemos das verdades tão cristalinas da Palavra de Deus a respeito do mundo?
“O Mundo inteiro jaz no maligno” – I Jo 5: 19 (o mundo sistema está enterrado no Diabo)
“Não ameis o mundo... Pois tudo que há no mundo... não provém do Pai...” I Jo 2: 15-16 (se não provém do Pai não é bom conteúdo)
“... costumavam viver, quando seguiam a presente ordem deste mundo...” Ef 2: 2 (enquanto estávamos mortos espiritualmente o mundo atraía) 
· Ilustrando uma resposta mais adequada de um adolescente:
“Meu coração é ignorante, alienado, tem um mau gosto e é infantilizado. Sou atraído por barulho, luzes, coloridos, doces e sabores. De fato sou um insensato ao escolher este prato de lentilhas.”
Temos Deus Pai, Deus Filho, Deus Espírito Santo e a Sua Palavra. Se estes não forem os maiores atrativos para os adolescentes estamos perdidos! 
b’) Um adolescente disse: “O mundo tem muito mais a oferecer” – Como dói o coração ao ouvir esta justificativa para o afastamento do Senhor. O ponto nevrálgico da dor está no “muito mais”! Sim, o mundo, que é estruturado por homens e mulheres cegos e separados do Senhor, oferece suas propostas para o viver. Mas são soluções paliativas, é a síndrome da “Folhas da Figueira” na tentativa de cobrir a nudez. MUITO MAIS? O mundo tem muito, mas muito MENOS a oferecer!
Deus Pai ofereceu o Filho para nos salvar, perdoar, redimir, justificar, renovar, regenerar, resgatar, reconciliar, libertar, saciar, vivificar, transformar etc. Deus tem muito mais a oferecer!
Alguém (seja adolescente, líder ou pais) que assimila a frase “o mundo tem muito mais a oferecer” manifesta:
1 – Desconhecimento das maravilhosas BÊNÇÃOS ESPIRITUAIS, ou
2 – Infantilismo na fé, no entendimento das SUPER OFERTAS DO SENHOR para seus filhos, ou
3 – Ilusão com os encantos deste mundo. 
· Ilustrando uma resposta mais adequada de um adolescente:
“Sinto-me como o filho mais novo da parábola do filho pródigo. Fui tolo e insensato ao acreditar nas ofertas do mundo e desprezar as bênçãos de estar na casa e com meu Pai.”
3 – Os adolescentes têm uma identidade externa e não internalizada.

 

 Um namoro “em jugo desigual” está mais para ser igual. Um rapaz se interessa por uma moça e vice versa porque há afinidades e igualdades. O desigual se restringe praticamente a um frequentar uma Igreja evangélica e o outro não. As demais áreas da vida são bem semelhantes, e é por isso que namoram!
“O que ela(e) vai pensar de mim?” “O que os demais vão pensar se eu não namorar?”. Estas perguntas manifestam a retórica da defesa para o namoro, mas
revela uma identidade dependente do outro, terceirizada e submissa as opiniões externas.
Doze anos! E o Senhor Jesus já tinha uma identidade internalizada (Lucas 2: 42-52), a ponto de confrontar seus pais José e Maria. Jesus construiu sua identidade de dentro para fora, com doze já sabia quem era: “Filho do Deus Altíssimo”. Namoro na adolescência é um exemplo de dependência externa para autoafirmação (de fora para dentro).
“Namorando as pessoas verão que sou homem/mulher.” 
Mas ainda não é? De fato é o próprio adolescente que busca em terceiros sua identidade. E isto é um desastre, pois o jovem fica “nas mãos” do outro, é uma “Maria vai com as outras” e um “Zé vai com os outros”.
Um namoro com incrédulo não é um motivo para o adolescente se afastar do Senhor, é mais uma evidência de que já estava afastado, identificando-se mais com os valores do outro do que com o do Senhor.
· Ilustrando uma resposta mais adequada de um adolescente:
“Meu interesse por esta garota foi maior do que meu interesse pelo Senhor.”
4 – Os adolescentes confundem Igreja com Senhor Deus.
Você já ouviu?
“Fui crente! Na minha juventude tive uma decepção lá na Igreja e agora não quero saber de mais nada!”

 
 O que esta confissão nos revela? Revela que esta pessoa foi crente sim, mas crente em pessoas e não no Senhor Deus Eterno. Pessoas decepcionam, falham, mas Deus não.
Semelhantemente os adolescentes seguem este caminho ao depositarem a fé em líderes, pastores ou qualquer outro cristão. A fé deve estar tão somente no autor e consumador dela, a saber, o Senhor Jesus.
Parte da Igreja contemporânea na avidez de quantidade, poder e riqueza hereticamente transfere a salvação em Cristo para a salvação na Igreja. A Igreja (instituição) é supervalorizada em detrimento da desvalorização da Obra do Senhor Jesus. A fé que salva está na Igreja “X” e não mais unicamente no Salvador Senhor Jesus Cristo.
Esta confusão entre Igreja (pessoas e ou organização) e Deus é verificável na intensidade das relações. Um adolescente pode muito bem estar envolvido, participativo e compromissado com a Igreja (o que é bom), mas isso não é sinônimo e nem garantias de estar também compromissado com o Senhor. Muitos pais, líderes e adolescentes caem nesta ideia de que bem na Igreja bem com Deus e aí vem a surpresa do afastamento da Igreja que nada mais é um sintoma do coração já afastado do Senhor.
· Ilustrando uma resposta mais adequada de um adolescente:
“Olhei para os homens, fui idólatra, deixei de olhar exclusivamente para o Senhor Jesus.”
5 – Os adolescentes usam os pais como desculpa para se afastar.


É difícil mesmo! Filhos com pais ausentes, incoerentes e ou pais incrédulos. A família nuclear é base para os relacionamentos. Apesar de todas estas influências negativas ainda assim o poder de decisão está com o filho: Imitando os pais e também se rebelando ou rejeitar os comportamentos dos pais se apegando ao Senhor Jesus.


Interessante! Quando convêm os filhos imitam muito bem seus pais:
“Meu pai fuma, então também vou fumar!” “Meu pai disse que pegou muitas meninas na juventude, então também farei isso.”
Onde está o filho que diga:
“Meu pai orava todos os dias de madrugada, então farei assim também.”
Família é a maior fonte de influência de um ser humano, mas mesmo assim não determina as escolhas deste ser humano. Deus Pai “educou” seus filhos Adão e Eva! Que educação! Que influência! Mas quem determinou a escolha de obedecer e confiar no Pai foram os filhos. Bom, a escolha já sabemos qual foi!
· Ilustrando uma resposta mais adequada de um adolescente:
“Espertamente me apoiei nos erros dos meus pais para dar vasão aos meus.”

CONCLUSÃO
Por que os adolescentes se afastam do Senhor? Porque eles são humanos como eu e você, pecadores com coração amante de si mesmo e do mundo. Só com quebrantamento, transformação, novo coração, negando-se a si mesmo e carregando a Cruz a trajetória muda de afastamento para aproximação com o Senhor.


De Wanderley Rangel Filho – www.pavi.psc.br - Extraído do site do PAVI e postado no blog com autorização do autor.

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